A BELA ARTE DO SOFRIMENTO BEM SUCEDIDO
Muito,
muito poucas pessoas ousam perguntar-se a respeito do que
elas-realmente-querem.
Ainda mais
raros são os suficientemente corajosos que observam -como-sentem-verdadeiramente-os
prazenteiros, os desagradáveis e os nem prazenteiros nem desagradáveis
sentimentos.
Estão
reproduzindo loucamente os comandos auto- impostos, para que sejam
condescendentes com as formas de viver, que eles vêem sendo praticadas à sua
volta, tentando corresponder aos
objetivos altamente contraditórios, determinados pelos outros.
O resultado
é a fragmentação do ser, em muito mais aspectos do que a quantidade de gotas
d'água do oceano Pacífico.
O que era
inteiro (Kha), agora se tornou fracionado (Du[k]-kha).
Que há uma
considerável excitação nisso, isso é certo!
Uma escolha
excitante entre fazer um empréstimo e comprar um Ford Explorer com 0 de entrada
ou um Nissan Pathfinder com 1000 dólares de saldo negativo...
Entre ir
sossegar no "onde está o sol? de Oregon", ou se compartilha a vida
com os mosquitos no ardor da Flórida; se encontra um lar aconchegante na cauda
do tornado-alley, no meio oeste, ou se agita na tremenda mas ensolarada
Califórnia.
Se faz um
empréstimo para uma casa antiga-elegante, assumindo uma taxa fixa de 6.75%
em 30 anos, ou uma nova em 15 anos
reajustáveis, começando com 6.25 ..
Por outro
lado, há essa bela tristeza. Há o excitante desafio de recomeçar por sobre
todas as esfoladuras quando "tudo" na vida quebrou em pedaços; Existe um profundo amor no coração de
alguém, do qual só se dá conta DEPOIS que o outro alguém partiu.
Olha isso:
Qual a
diferença entre cavalgar no super-cilindro de um navio-costeiro até a última
montanha mágica, e descer de parafuso num campo de gelo no polo norte, num
boeing 747?
[resposta:
o cilindro do navio puxa mais G's (
exceto o impacto do avião no solo, é claro)].
Agora,
neste pequeno caderno, o autor está esperando há muito tempo e cyberspaço, no
esforço de desbancar o horrível e destrutivo mito de que " toda vida é
sofrimento", falsamente atribuído a Gautama Sddharta ( o Buddha").
Aliás, ele
falou sobre sofrimento!
Porque
sofrimento é a consequência de um ser perder a salubridade ( a tradução literal
de 'Dukkha'). Sofrimento pode servir como um indicador-gatilho- de que alguma
coisa não está completamente certa.
O problema,
entretanto, não é tão simples quanto parece: um 'indicador' ou 'sintoma',
normalmente não revela a causa do problema.
Um nariz
escorrendo não oferece nenhum indício
de que deva estar alí, um vírus de resfriado devastador e mesmo que
oferecesse, a que categoria pertence o
vírus que está agindo.
É
exatamente onde a " Bela Arte Do Sofrimento Bem Sucedido" escoiceia.
Pega a dor
e a conduz a novas e inesperadas alturas, buscando antes as suas causas
subjacentes, do que a perda de tempo com os sintomas.
Esse belo
ofício tem muitas e fascinantes facetas. Neste capítulo, entretanto, elas devem ser reduzidas para a arte de
fazer a pergunta certa, na hora certa.
Por
exemplo, a questão sutil e até agora sem-tempo-nem espaço, posta em evidência
há mais de 2.500 anos por ninguém mais que ele mesmo, Gautama, é:
"Quantas
vêzes terá uma pessoa de experimentar a morte, antes de começar a suspeitar que
ela não é um corpo?"
Agora, há
uma boa chance de que o leitor do "Pequeno Caderno Púrpura Sobre Como
Escapar Deste Universo", não tenha problemas quanto a compreender essa
questão. Mas, queremos ir mais além,
aqui, e olhar para as sujestões contidas nos fascinantes fogos de artifícios
das emoções, durante o curso de uma vida.
Às vêzes,
quando tudo mais falta, o ser confrontado com uma situação extrema, tem que
pingar cuidadosamente, o conjunto de todas as suas suposições e justificações.
Isso
acontece em ocasiões tais que uma minúscula faísca que reflita o verdadeiro
estado desse ser ,pode tremeluzir por um breve momento.
Milagres
parecem acontecer, então. Mas não são milagres, porque milagres não existem.
Induzido
por uma aparente lacuna de escolhas dentro dos limites auto- impostos no jogo
da vida, revela seu-verdadeiro-poder neste breve momento, a fim de que possa
continuar de novo, a despeito dos excedentes.
Agora, não
vamos sair pro deserto imediatamente, sem suprimento de água, ou nos
pendurarmos numa corda, num penhasco do Grand Canyon.
Já há
momentos na vida da maioria das pessoas, que revelam o estado da 'condição de
ser intocada'; e lá podem estar outras
mais oportunidades no caminho.
Sim, você
leu corretamente; oportunidades!
Porque a
habilidade suprema na "Bela Arte do Sofrimento Bem-Sucedido", é tomar
esta oportunidade para reconhecer sua própria existência, além do randômico e
efêmero fogo dos eventos.
--No
momento quando e onde os "difíceis fatos da vida"
dissolvem-se
suavemente nas ondas de um oceano de encadeamentos;
--Quando e
onde os conceitos de tempo e espaço perdem seus significados;
--Quando e
onde se goteja ódio, luxúria e avidez, como uma batata quente;
--No
momento em que "amor" se torna uma sílaba única, uma palavra de
quatro letras.
Por causa
deste ser, por um momento que dura prá sempre, será agora cingido o TUDO e o
NADA- em todo lugar- o tempo todo.
Maximillian J.Sandor, Ph.D. "Do Pequeno Caderno Púrpura Sobre Como
Escapar Deste Universo"
(transposição
para o português por Heloisa Helena Rosas de Almeida)