13. Pontos de vista, Tolerância,
Compaixão e Verdade.
Num sempre mencionado (e levianamente mal
atribuído) exemplo, Gautama conta a estória de dois homens
observados, examinando um elefante. Como esperado, o homem que tocou os
pés do elefante fez declarações profundamente diferentes
sobre a natureza do elefante, daquelas que fez o outro homem que examinou
os olhos, presas e outras partes separadamente.
A situação paradoxal (surge) onde eles se contradizem, apesar de suas observações individuais não serem aparentemente incorretas.
De qualquer modo, enquanto a observação da situação produzirá tantos resultados diferentes quantos forem os observadores, pode-se ainda esperar uma concordância sobre situações básicas seguras, desde que os pontos de vista dos observadores sejam concluídos juntos.
No exemplo acima, dois homens examinando o pé direito, em curto espaço de tempo, intencionam chegar a avaliações similares.
Parte da comparação entre conceitos que diferem, poderia ser uma opinião divergente de pontos de vista envolvidos, (interpretação) e um honesto esforço para duplica-los e que são notavelmente diferentes dos seus próprios.
Se tal comparação não produz uma descoberta básica comum, entretanto, a questão se levanta: se um apenas desprezaria o ponto de vista do outro ou se insistiria na verdade (ou sua própria percepção e/ ou a formulação do outro).
Num caso extremo, se o ponto de vista do outro abalasse seriamente as condições de uma outra pessoa ou a suas próprias, a decisão, quer a tolerada, apercebida inverdade ou não, pode gerar um considerável problema.
Nós topamos com um paradoxo maior:
Quanta tolerância pode ser tolerada,
sem sacrifício da tolerância, ela mesma.
Falar a verdade, pode não ser indicado
em situações onde poderia causar mais danos do que bem.
Numa situação individual isto
será sempre um convite ao julgamento. Este convite ao julgamento
é tipicamente baseado em verdadeira compaixão, ( no sentido
que deu Gautama) dependendo das circunstâncias das partes, num diálogo.
"Verdadeira compaixão" no senso de Gautama,
é antes um estado mental do que uma emoção física.
Em muitos casos, a avaliação
pode entretanto, tomar o lugar, e uma d as partes no diálogo poderá
sofrer mais, por não conhecer a dolorosa verdade, do que se essa
verdade não houvera sido comunicada.
Num livro entretanto, como em todos os escritos
e amplamente distribuídos, relata-se que a audiência não
está presente na hora em que o relato é feito. Uma estimativa
do impacto de uma assertiva é muito mais difícil, se não
completamente impossível. Essa situação vem criando
um impasse. Poderia um autor não falar o que sente, porque no futuro,
um leitor poderá olhar para o texto e, não estando aberto
para ele se suscetibilizar?